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(Sonhei, confuso, e o sono foi disperso,...)
Sonhei, confuso, e o sono foi disperso,
Mas, quando dispertei da confusão,
Vi que esta vida aqui e este universo
Não são mais claros do que os sonhos são

Obscura luz paira onde estou converso
A esta realidade da ilusão
Se fecho os olhos, sou de novo imerso
Naquelas sombras que há na escuridão.

Escuro, escuro, tudo, em sonho ou vida,
É a mesma mistura de entre-seres
Ou na noite, ou ao dia transferida.

Nada é real, nada em seus vãos moveres
Pertence a uma forma definida,
Rastro visto de coisa só ouvida.
Soñé, confuso, y el sueño fue disperso,
Mas, cuando desperté de la confusión,
Vi que esta vida aqui y este universo
No son más claros de lo que los sueños son.

Oscura luz planea donde estoy converso(*)
A esta realidad de la ilusión
Si cierro los ojos, soy de nuevo inmerso
En aquellas sombras que hay en la oscuridad.

Oscuro, oscuro, todo, en sueño o vida,
Es la misma mezcla de entre-seres
O en la noche, o al dia transferida.

Nada es real, nada en sus vanos movimientos
Pertenece a una forma definida,
Rastro visto de cosa sólo oida.

Fernando Pessoa
28-9-1933

(*) N.d.T: Converso, convertido, transformado... mantengo la primera por no estropear la rima; más de lo necesario.

©2003-07-31 by Sebastián Santisi, all rights reserved.


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