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Vendaval
Ó vento do norte, tão fundo e tão frio,
Não achas, soprando por tanta solidão,
Deserto, penhasco, coval mais vazio
Que o meu coração!

Indómita praia, que a raiva do oceano
Faz louco lugar, caverna sem fim,
Não são tão deixados do alegre e do humano
Como a alma que há em mim!

Mas dura planicie, praia atra em fereza,
Só tem a tristeza que a gente lhes ve;
E nisto que em mim é vacuo e tristeza
É o visto o que ve.

Ah, mágoa de ter consciencia da vida!
Tu, vento do norte, teimoso, iracundo,
Que rasgas os robles -- teu pulso divida
Minh'alma do mundo!
¡Oh viento del norte, tan hondo y tan frio,
No crees, soplando por tanta soledad,
Desierto, peñasco, covacha más vacia
Que mi corazón!

¡Indómida playa, que la rabia del oceano
Hace loco lugar, caverna sin fin,
No son tan dejados del alegre y del humano
Como el alma que hay en mí!

Mas dura planicie, playa dura en fiereza,
Sólo tiene la tristeza que la gente les ve;
Y en esto que en mí es vacuo y tristeza
Es lo visto lo que ve.

¡Ah, dolor de tener consciencia de la vida!
¡Tú, viento del norte, persistente, iracundo,
Que rasgas los robles -- tu pulso divida
Mi alma del mundo!
Vendaval
Fernando Pessoa

©2003-08-14 by Sebastián Santisi, all rights reserved.


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