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Fresta
Em meus momentos escuros
Em que em mim não há ninguém,
E tudo é névoas e muros
Quanto a vida dá ou tem,

Se, um instante, erguendo a fronte
De onde em mim sou aterrado,
Vejo o longínquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado

Revivo, existo, conheço,
E, ainda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço,
Nada mais quero nem peço.
Entrego-lhe o coração.
En mis momentos oscuros
En que en mí no hay nadie,
Y todo es niebla y muros
Cuanto la vida da o tiene,

Si, un instante, irguiendo la frente
De donde en mí soy aterrado,
Veo el lejano horizonte
Lleno de sol puesto o nado

Revivo, existo, conozco,
Y, todavía que sea ilusión
El exterior en el que me olvido,
Nada más quiero ni pido.
Le entrego el corazón.

Fernando Pessoa

©2004-10-31 by Sebastián Santisi, all rights reserved.


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