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Liberdade
Ai que prazer
Não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
Como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...
Ay qué placer
No cumplir un deber.
Tener un libro para leer
¡Y no hacerlo!
Leer es vacío,
Estudiar es nada.
El sol dora sin literatura.
El rio corre bien o mal,
Sin edición original.
Y la brisa, esa, de tal naturalmente matinal
Como tiene tiempo, no tiene prisa...

Libros son papeles pintados con tinta.
Estudiar es una cosa en que está indistinta
La distinción entre nada y cosa ninguna.

Cuanto mejor es cuando hay bruma.
Esperar por D. Sebastião,
¡Quiere venir o no!

Grande es la poesía, la bondad y las danzas...
Pero lo mejor del mundo son los chicos,
Flores, música, luz de luna, y el sol que peca
Sólo cuando, en vez de crear, seca.

Y más de lo que esto
Es Jesus Cristo,
Que no sabía nada de finanzas,
Ni consta que tuviera biblioteca...
Publicado in Seara Nova, n.º 526, de 11-09-1937
Fernando Pessoa
16-03-1935

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Revision: 3/2/2005.


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