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Ulisses
O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo--
O corpo morto de Deus,

Vivo e desnudo.
Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.

Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,

E a fecundála decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.
El mito es la nada que es todo.
El mismo sol que abre los cielos
Es un mito brillante y mudo--
El cuerpo muerto de Dios,

Vivo y desnudo.
Este, que aquí aportó,
Fue por no ser existiendo.
Sin existir nos bastó.

Por no haber venido fue venido
Y nos creó.
Así la leyenda se escurre
Hasta entrar en la realidad,

Y al fecundarla escurre.
En bajo, la vida, mitad
De nada, muere.
Mensagem
Fernando Pessoa

©2004-11-01 by Sebastián Santisi, all rights reserved.


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