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(Não sei quantas almas tenho.)
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu?"
Deus sabe, porque o escreveu.
No sé cuántas almas tengo.
Cada momento mudé.
Continuamente me extraño.
Nunca me vi ni acabé.
De tanto ser sólo tengo alma.
Quien tiene alma no tiene calma.
Quien ve es sólo lo que ve,
Quien siente no es quien es,

Atento a lo que soy y veo,
Tórnome ellos y no yo.
Cada sueño mio o deseo
Es de lo que nace y no mio.
Soy mi propio paisaje;
Asisto a mi paisaje,
Diverso, móvil y sólo,
No sé sentirme donde estoy.

Por eso, ajeno, voy leyendo
Como páginas, mi ser.
O que soguee no previendo,
Lo que pasó olvidando.
Noto al márgen de lo que leí
Lo que juzgué que sentí.
Releo y digo: "¿Fui yo?"
Dios sabe, porque lo escribió.

Alberto Caeiro

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