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Verdade, Mentira
Verdade, mentira, certeza, incerteza...
Aquele cego ali na estrada também conhece estas palavras.
Estou sentado num degrau alto e tenho as mãos apertadas
Sobre o mais alto dos joelhos cruzados.
Bem: verdade, mentira, certeza, incerteza o que são?
O cego pára na estrada,
Desliguei as mãos de cima do joelho
Verdade, mentira, certeza, incerteza são as mesmas?
Qualquer cousa mudou numa parte da realidade — os meus joelhos e as minhas mãos.
Qual é a ciência que tem conhecimento para isto?
O cego continua o seu caminho e eu não faço mais gestos.
Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual.
Ser real é isto.
Verdad, mentira, certeza, incerteza...
Aquel ciego allí en la estrada también conoce estas palabras.
Estoy sentado en un peldaño alto y tengo las manos apretadas
Sobre lo más alto de los muslos cruzados.
Bien: verdad, mentira, certeza, incerteza ¿qué son?
El ciego para en la estrada,
Separé las manos de encima del muslo
Verdad, mentira, certeza, incerteza ¿son las mismas?
Cualquier cosa mudó en una parte de la realidad — mis muslos y mis manos.
¿Cuál es la ciencia que tiene conocimiento para esto?
El ciego continúa su camino y yo no hago más gestos.
Ya no es la misma hora, ni la misma gente, ni nada igual.
Ser real es esto.
Poemas Inconjuntos
Alberto Caeiro
12-4-1919

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