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(O ter deveres, que prolixa coisa!)
O ter deveres, que prolixa coisa!
Agora tenho eu que estar à uma menos cinco
Na Estação do Rocio, tabuleiro superior — despedida
Do amigo que vai no "Sud Express" de toda a gente
Para onde toda a gente vai, o Paris...

Tenho que lá estar
E acreditem, o cansaço antecipado é tão grande
Que, se o "Sud Express" soubesse, descarrilava...

Brincadeira de crianças?
Não, descarrilava a valer...
Que leve a minha vida dentro, arre, quando descarrile!...

Tenho desejo forte,
E o meu desejo, porque é forte, entra na substância do mundo.
Tener deberes, ¡qué cosa prolija!
Ahora tengo que estar a la una menos cinco
En la Estação do Rocio, tablero superior — despedida
Del amigo que va en el "Sud Express" de toda la gente
Hacia donde toda la gente va, Paris...

Tengo que estar allá
Y crean, el cansancio anticipado es tan grande
Que, si el "Sud Express" supiera, descarrilaría...

¿Juego de niños?
No, descarrilaría mereciéndolo...
¡Que lleve mi vida dentro, arre, cuando descarrile!...

Tengo deseo fuerte,
Y mi deseo, porque es fuerte, entra en la substancia del mundo.

Álvaro de Campos

©2004-12-25 by Sebastián Santisi, all rights reserved.


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