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Antes O Vôo Da Ave
Antes o voo da ave, que passa e não deixa rasto,
Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
A ave passa e esquece, e assim deve ser.
O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
Mostra que já esteve, o que não serve para nada.

A recordação é uma traição à Natureza,
Porque a Natureza de ontem não é Natureza.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.

Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!
Antes el vuelo del ave, que pasa y no deja rastro,
Que el pasaje del animal, que queda recordado en el suelo.
El ave pasa y olvida, y así debe ser.
El animal, donde ya no está y por eso de nada sirve,
Muestra que ya estuvo, lo que no sirve para nada.

La recordación es una traición a la Naturaleza,
Porque la Naturaleza de ayer no es Naturaleza.
Lo que fue no es nada, y recordar es no ver.

¡Pasa, ave, pasa, y enséñame a pasar!
O Guardador De Rebanhos
Alberto Caeiro
07-05-1914

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