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Não Tenhas
Não tenhas nada nas mãos
Nem uma memória na alma,
Que quando te puserem
Nas mãos o óbolo último,
Ao abrirem-te as mãos
Nada te cairá.
Que trono te querem dar
Que Átropos to não tire?
Que louros que não fanem
Nos arbítrios de Minos?
Que horas que te não tornem
Da estatura da sombra
Que serás quando fores
Na noite e ao fim da estrada.
Colhe as flores mas larga-as,
Das mãos mal as olhaste.
Senta-te ao sol. Abdica
E sê rei de ti próprio.
No tengas nada en las manos
Ni una memoria en el alma,
Que cuando te pongan
En las manos el óbolo último,
Al abrirte las manos
Nada se te caerá.
¿Qué trono te quieren dar
Que Átropos no te lo saque?
¿Qué dorados que no caduquen
En los arbitrios de Minos?
Qué horas que no te tornen
De la estatura de la sombra
Que serás cuando fueras
En la noche y al fin del camino.
Toma las flores mas lárgalas,
De las manos mal las miraste.
Siéntate al sol. Abdica
Y sé rey de tí mismo.
Odes De Ricardo Reis
Ricardo Reis

©2005-04-23 by Sebastián Santisi, all rights reserved.


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