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Sábio
Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo,
      E ao beber nem recorda
      Que já bebeu na vida,
      Para quem tudo é novo
      E imarcescível sempre.

Coroem-no pâmpanos, ou heras, ou rosas volúteis,
      Ele sabe que a vida
      Passa por ele e tanto
      Corta à flor como a ele
      De Átropos a tesoura.

Mas ele sabe fazer que a cor do vinho esconda isto,
      Que o seu sabor orgíaco
      Apague o gosto às horas,
      Como a uma voz chorando
      O passar das bacantes.

E ele espera, contente quase e bebedor tranqüilo,
      E apenas desejando
      Num desejo mal tido
      Que a abominável onda
      O não molhe tão cedo.
Sabio es el que se contenta con el espectáculo del mundo,
      Y al beber ni recuerda
      Que ya bebió en la vida,
      Para quien todo es nuevo
      Y sempiterno siempre.

Corónenlo pámpanos, o hiedras, o rosas volubles,
      Él sabe que la vida
      Pasa por él y tanto
      Corta a la flor como a él
      De Átropos la tijera.

Mas él sabe hacer que el color del vino esconda esto,
      Que su sabor orgiástico
      Borre el gusto a las horas,
      Como a una voz llorando
      El pasar de las bacantes.

Y él espera, contento casi y bebedor tranquilo,
      Y apenas deseando
      En un deseo mal habido
      Que la abominable ola
      No lo moje tan temprano.
Odes De Ricardo Reis
Ricardo Reis

©2005-04-24 by Sebastián Santisi, all rights reserved.


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