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Bóiam Farrapos De Sombra
Bóiam farrapos de sombra
Em torno ao que năo sei ser.
É todo um céu que se escombra
Sem me o deixar entrever.

O mistério das alturas
Desfaz-se em ritmos sem forma
Nas desregradas negruras
Com que o ar se treva torna.

Mas em tudo isto, que faz
O universo um ser desfeito,
Guardei, como a minha paz,
A 'sp'rança, que a dor me traz,
Apertada contra o peito.
Flotan harapos de sombra
En torno a lo que no sé ser.
Es todo un cielo que se escombra(*)
Sin dejármelo entrever.

El misterio de las alturas
Se deshace en ritmos sin forma
En las irregulares negruras
Con que el aire se penumbra torna.(**)

Pero en todo esto, que hace
Al universo un ser deshecho,
Guardé, como a mi paz,
La 'sp'ranza, que el dolor me trae,
Apretada contra el pecho.
Poesias Inéditas
Fernando Pessoa

(*) N.d.T: Tómese como neologismo, dado que en portugués lo es, por "reduce a escombros"; o sea, omítanse las acepciones que impone la RAE.
(**) N.d.T: El hipérbaton está en el original por rimar.

©2005-05-24 by Sebastián Santisi, all rights reserved.


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